Mostrando postagens com marcador relacionamento professor aluno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador relacionamento professor aluno. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Os bônus da nossa profissão

Durante o tempo em que fiquei afastada da sala de aula, porque estava de licença prêmio (30 dias no turno diurno e 60 dias no turno noturno), ficou mais evidente o quanto é desgastante a minha rotina de professora com carga horária de 350 horas aulas mensais. Há tantos compromissos, tanto pra ler, tanto pra corrigir, tanto pra elaborar, planejar, anotar, lançar em sistema, estudar, reorganizar... Ufa!!! Canso apenas só em falar.
E, de repente, descobri-me livre, leve e solta. Pude ler todos os livros que quis, pude dormir mais e conviver bastante com os meus familiares. Viajei, curti meu marido, meus filhos, meus sobrinhos e a minha casa. Fiz panfletagem virtual e acompanhei com mais tranquilidade os rumos que as eleições tomaram. Tive o tempo que precisava para me reestruturar e me refazer para voltar mais fortalecida para todas as atribuições e atividades extras que final de ano letivo traz para nós professores.
Retornei, retomei minhas aulas e me deparei com diversas demonstrações de carinho pela minha volta. Senti-me amada ao ouvir dos meus alunos que fiz falta, que sentiram saudade de mim. Faz bem ao ego de um professor. 
E hoje, às vésperas do Dia do Professor, recebi esta cartinha querida do meu aluno/sobrinho Léo, um "carinha do bem", que me conquistou desde a primeira vez em que o vi, tímido ainda, pegar o microfone e, diante de toda a escola, numa "reunião pesadíssima", partir em defesa de alguém que havia sido injustamente massacrado e humilhado por uma determinada pessoa, que não vem ao caso citar. Naquele momento, senti uma enorme vontade de um dia ser a professora daquele menino, cuja coragem foi maior que a de todos nós, adultos ali presentes, que ficamos na platéia apenas assistindo a tudo e sem coragem para nos posicionarmos, com medo das possíveis sanções.
Léo, aluno do 3º Ensino Médio, está vivendo seus últimos dias na EJRC, irá trilhar novos caminhos, seguir sua vida, espalhando amor e alegria por onde passar, mas aqui deixará saudade, amigos e uma amiga pra sempre, Tia Cida. 
Valeu, por tudo e pelo carinho, meu sobrinho!




sexta-feira, 16 de maio de 2014

Fugir pra Pasárgada seria a solução?

Conviver com jovens e adolescentes todos os dias, faz com que nos renovemos a cada instante, pois sempre temos algo a aprender com eles e com o mundo que é só deles, com coisas que só eles entendem e com suas formas de pensar tão diferentes das minhas quando tive a idade deles.
Para eles, inclusive, nós professores nascemos "quarentões", nunca tivemos a idade deles, nunca passamos pelo que eles passam. Já nascemos assim: seres maduros, assexuados e que temos o dever de sempre o compreendermos e seguirmos no ritmo deles: intenso para aquilo que lhes interessa e moroso, quando trata-se de coisas que eles consideram "supérfluas", como estudar, por exemplo.
Todos os dias, além de preparar aulas, exercícios, atividades, textos e tudo o mais para vivenciar os conteúdos em sala de aula, tenho também que elaborar "discursos motivacionais", usando psicologia, religiosidade, afetividade, chantagem e tudo o mais que eu possa "apelar" para que eles se interessem pelo que eu irei trabalhar em minhas aulas.
E tudo isto cansa, desgasta e me dá um sentimento de impotência e de incompetência diante dos resultados obtidos nas provas bimestrais. Nada valeu! Nem as explicações, nem os materiais elaborados, nem os estudos solicitados e muito menos a "lenga-lenga motivacional". 
O que fazer então?
Continuar fingindo que tudo está bem? Continuar insistindo numa prática cujos resultados deixam muito a desejar? Fugir pra "Pasárgada"? 
Não sei.
Só sei que pela primeira vez, em mais de 21 anos de profissão, sinto que, se eu pudesse, deixaria de ser professora. Sairia de vez da educação sem nenhum remorso. Começaria do zero: outra faculdade, outra profissão, outra vida.
Em que isso resolveria os problemas detectados por mim em meus alunos? Em nada. Eles todos continuariam lá, entretanto, eu poderia estar abrindo espaço para outras mentes mais jovens ocuparem o meu lugar e, quem sabe, de jovem para jovem, as soluções não surgissem?
Contudo, como nunca tive vocação para "avestruz", não me esconderei, não "fugirei para Pasárgada" ou para qualquer outro lugar, imaginário ou não, ficarei e tentarei me renovar a partir dos meus alunos e da juventude deles. 
Decisão tomada, resta colocar em prática. Só preciso descobrir como. 




sábado, 14 de dezembro de 2013

"Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas"

Finais de ano nos remete a um misto de sensações estranhas: saudades antecipadas, lembranças de coisas de um passado recente que se mesclam com lembranças mais remotas; outros momentos, outras turmas de alunos com as quais se conviveu e que um dia também saíram de perto e foram alçar voos maiores.
É um tempo de emoções à flor da pele que, aliadas ao estresse e cansaço de mais um ano letivo vivenciado, pode nos fazer chorar compulsivamente de tristeza, pelas despedidas dos alunos e até mesmo das turmas que finalizam, ou de alegria pelas notícias de alunos que passaram em vestibulares. 
Em meio a esta enxurrada de momentos de emoções fortes, ainda sobra tempo para se meditar e analisar o que de fato valeu a pena e o que não valeu; o que recebemos e o que doamos de bom para as pessoas com as quais convivemos em mais um ano de vida. É um tempo de reflexão sobre os laços feitos e os desfeitos também, afinal, nem sempre entendemos o outro como gostaríamos de sermos entendidos por ele e vice-versa, pois viver é bom, mas que é difícil é.
E 2013 foi um ano muito difícil para mim, que me sinto parte da EJRC, pois tive que "arregaçar as mangas" e partir pra luta, literalmente, contra algo que não traria benefícios para a comunidade escolar, nem para a comunidade externa, que, inclusive, poderia levar esta escola à extinção. E foi muito cansativo, por inúmeras razões que prefiro não citar, mas "tudo vale a pena quando a alma não é pequena", já dizia Pessoa e valeu a pena cada momento dedicado a esta luta ao lado de todos os colegas professores, funcionários, alunos, ex-alunos e amigos que nos ajudaram a trilhar o caminho mais adequado para que pudéssemos obter êxito nesta empreitada.
Simultaneamente a este "furacão" de ações que vivenciamos juntos durante este processo de luta, vimos acontecer no Velho João inúmeros projetos e ações que fizeram com que esta escola se mostrasse mais viva e forte a cada dia. E isto também fortaleceu a todos nós que fazíamos parte do GRUPO DOS AMIGOS DA EJRC CONTRA A MUNICIPALIZAÇÃO para irmos em busca de toda e qualquer ajuda para que a nossa causa fosse exitosa. Agradamos a uns, desagradamos a alguns, mas isso também faz parte da vida, são as incompreensões que resultam da falta de diálogo, acho eu. 
Entretanto, como não tenho nenhuma pretensão de promover a análise de ações passadas e encerradas, atenho-me a dizer que também isto foi bom, serviu para que nos uníssemos e nos doássemos mais em nossa luta em favor daquilo que acreditávamos ser o certo e disto sentirei saudade.
Mas a saudade maior será, sem dúvida, daqueles "sobrinhos" que estão indo embora, deixando o Velho João para darem continuidade a sua vida acadêmica, pelas universidades Brasil a fora. E se nos serve de consolo, um dia retornarão a esta escola para matar as saudades e darem seus "testemunhos" sobre o quanto esta escola foi importante em suas histórias individuais. É o Velho João deixando a sua marca impressa na vida de cada um dos seus alunos. E, por mais piegas que possa parecer, como nos enriquece quando eles retornam, anos depois, e vêm nos dar seus depoimentos sobre a importância desta escola em suas vidas e do quanto nós professores os ajudamos a crescer e progredir em sua jornada de vida pessoal e acadêmica. E disto sempre sinto saudade: do reconhecimento e do carinho dos meus ex-alunos.
Apesar de ser eu a professora, sempre aprendo muito com os meus alunos, que me ajudam a progredir como pessoa e como profissional nesta  tão sofrida missão de educadora. E, de todos vocês, alunos e ex-alunos, sempre sinto saudades e uma sensação gostosa de dever cumprido. 
Que esta saudade não seja muito prolongada nem tenha um distanciamento grande, pois a vida é curta. Por isso façamos como nos ensinou Drummond "não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas"!



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ANTIGOS E ETERNOS AMORES

Durante o ano de 2010, quando recebi o diagnóstico de que havia desenvolvido vitiligo, demorei a aceitar a vontade de Deus e me senti triste, angustiada e meio deprimida por alguns dias. Chegando até a me isolar, preferir a companhia dos meus livros, filmes, internet.

Entretanto, Deus em sua magnitude, mandou-me a presença de alguns anjos disfarçados de alunos, com os quais desenvolvi um laço de amizade muito forte e sincero. São jovens, quase crianças que me mostraram o quanto é importante ter amigos. E me deram flores, cartinhas, bombons, mensagens e a presença constante em minha vida. 
Com eles, curti todas as datas comemorativas em festinhas que eles organizavam em sala de aula; fizemos inúmeros passeios, viagens, luaus, aventuras, lanchinhos em minha casa, projetos escolares e uma feijoada de despedida. Formamos um grupo denominado GALERA DOS CINCO MINUTINHOS.
A essas crianças, que bem poderiam ser meus filhos, agradeço imensamente a lição que me ensinaram e o amor que me devotaram num momento tão difícil de minha vida. Hoje são ex alunos, porém serão sempre MEUS SOBRINHOS QUERIDOS DAS TURMAS DOS 3º MÉDIO A e B DE 2010. 
Onde quer que estejam agora, recebam todo o meu amor e admiração, em especial à GALERA DOS CINCO MINUTINHOS. Beijos da TIA CIDA.