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quinta-feira, 22 de junho de 2017

PROJETO BOA VISÃO - UM TRIBUTO ÀS "DOUTORAS DO VELHO JOÃO"

Durante o recesso do mês de janeiro, recebi um e-mail da GRE-AM solicitando o nome de dois professores da nossa escola para participarem de uma reunião do Projeto Boa Visão. Sem saber do que se tratava, indiquei duas professoras que praticamente moram na escola, por conta das suas 350 horas aulas: Josenilda Albuquerque e Alessandra Feitosa. Foi este o meu principal critério, pois achei que seria mais fácil para  elas repassarem as informações para os demais colegas, nos três turnos da escola.
Depois de enviado os nomes e os dados de ambas, foi a hora de comunicá-las sobre a minha "ousadia". E como todos os colegas do Velho João são "pau pra toda obra", elas aceitaram "numa boa". E lá se foram para a reunião. Ao voltarem, nos informaram sobre a grandiosidade do PROJETO BOA VISÃO: as duas seriam responsáveis pela triagem inicial de TODOS os nossos estudantes para detectar os que tivessem necessidade de um exame de vista que seria feito posteriormente, em Garanhuns, no Mutirão da Fundação Altino Ventura/One Insiht, em parceria com o Governo de Pernambuco por meio do Projeto Boa Visão.
Após receberem as instruções de como proceder na triagem inicial, as nossas duas "Doutoras Guerreiras" deram início a uma verdadeira maratona para conciliar seus horários e todas as demandas de uma sala de aula com a triagem de quase um mil e setecentos estudantes. Inicialmente, apenas as duas, depois, à medida que o prazo ia se esgotando, outros "doutores" foram se juntando nesta tarefa: professores, funcionários, alunos e ex-alunos, inclusive, numa noite, recebemos a ajuda de uma equipe de profissionais da área, numa parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. E haja trabalho para todos! Ao todo, foram encaminhados da nossa escola 458 estudantes que necessitavam de atendimento oftálmico. Devido à demanda, a nossa escola foi contemplada para este mutirão com 250 exames, e, de acordo com as informações dadas pela GRE-AM, os outros 208 serão atendidos posteriormente pela UPAE. 
Desde então, estudantes, familiares e toda a equipe do Velho João aguardamos ansiosamente o dia dos exames deste primeiro grupo selecionado, que, enfim chegou: na terça-feira, 20 de junho, nossos primeiros cinquenta jovens foram para Garanhuns fazer seus exames e no dia seguinte os outros duzentos. 
E toda a escola se preparou para esta "mega operação", afinal de contas, sair numa viagem de quase 90 km, dois dias seguidos com a incumbência de levar e trazer, sãs e salvos, adolescentes é uma responsabilidade muito grande, mesmo que tenham sido divididos em dois grupos, mesmo que tenham viajado em ônibus confortáveis, mesmo que em cada ônibus fosse um professor responsável, mesmo que os motoristas fossem capacitados, mesmo que houvesse as listas de frequência, mesmo que as nossas "meninas da cozinha" tenham feito uma merenda especial, mesmo que... É muita tensão. Mas, enfim, tudo deu certo. 
Hoje, temos a sensação do "dever cumprido", temos a alegria de vermos os nossos estudantes sendo encaminhados para tratamentos mais sérios ou apenas terem óculos que irão facilitar a sua vida. E uma satisfação ainda maior de termos conseguido - graças à lembrança do professor Roberto Malta e do empenho de Evaneide (GRE-AM) - o atendimento a dois ex-alunos, que perderam a visão de um olho quando criança e que não tiveram condições financeiras de fazer tratamento e nem têm condições de colocar uma prótese: Carlos Daniel e Iara Ferreira.
E digo a todos, sem sombra de dúvidas: Josenilda Albuquerque e Alessandra Feitosa, não poderia ter feito escolha mais acertada. Vocês foram incríveis durante todo o processo desde o primeiro momento: a dedicação, o cuidado e o zelo que vocês tiveram (têm) pelos nossos estudantes me faz pensar se de fato a minha escolha foi assim tão por acaso ou se não foi uma conspiração divina: a espiritualidade tem dessas coisas, nos intuem às melhores escolhas, basta acreditar. E eu acredito!
Que Deus abençoe a todos os que se envolveram em mais esta tarefa humanitária, especialmente as nossas "DOUTORAS JOSENILDA ALBUQUERQUE e ALESSANDRA FEITOSA".
VALEU, MENINAS!!!!
JOSENILDA

ALESSANDRA 



EQUIPE GRE-AM PROJETO BOA VISÃO:





NOSSOS ESTUDANTES:






















MAIS INFORMAÇÕES:

http://portal.saude.pe.gov.br/programa/secretaria-executiva-de-atencao-saude/projeto-boa-visao

http://gre-garanhuns.blogspot.com.br/2017/06/gre-do-agreste-meridional-se-prepara.html

quarta-feira, 18 de março de 2015

DE QUE É FEITO UM PROFESSOR?

Há os que pensam que de máquinas, parafusos, chips, peças eletrônicas/robotizadas/computadorizadas, revestindo uma massa encefálica desprovida de sentimentos, necessidades, sonhos... 
E POR ISSO DEVEM APENAS TRABALHAR E NUNCA RECLAMAR!
Há os que imaginam que apenas de leituras, conhecimentos, estudos, vida acadêmica, desprovida de qualquer outra necessidade a não ser a “fome compulsiva” por livros, cursos, materiais didáticos, diplomas... 
E POR ISSO DEVEM APENAS TRABALHAR E NUNCA QUESTIONAR!
Há os que pensam que de algum material obsoleto, “careta”, anacrônico, visto que é uma classe que teima em falar sobre coisas ultrapassadas: respeito, dignidade, ética, crescimento intelectual... 
E POR ISSO DEVEM APENAS TRABALHAR E NUNCA PARTICIPAR!
Há os que pensam que do mesmo material do qual foram feitos os nossos antepassados – os escravos: de servilismo, de humildade e aceitação do chicote de todos os algozes... 
E POR ISSO DEVEM APENAS TRABALHAR E TUDO AGUENTAR!
Há os que acham que de algum material inferior e por isso nem se dão ao trabalho de notar esta classe, pois a seu ver, importância não tem, nem utilidade prática, visto que facilmente encontram em qualquer site de busca, todo e qualquer assunto que queiram... 
E POR ISSO NÃO DEVEM TRABALHAR!
Mas afinal, de que é feito um professor?
De sonhos, de esperança, de trabalho, de estudos, de dignidade, de amor à profissão, aos alunos, aos livros. Mas também de dores, de angústias, de incertezas, de revoltas, de mágoas, de questionamentos, de reclamações e de uma carga horária extenuante que não lhe permite conviver com a própria família, em seu lar. 
E POR ISSO DEVEM TRABALHAR, RECLAMAR, QUESTIONAR, PARTICIPAR E NUNCA, NUNCA MESMO, AGUENTAR MAIS DO QUE SE PERMITIRIA UM SER HUMANO QUE EXERCESSE QUALQUER OUTRA PROFISSÃO!!!

UM PROFESSOR DEVE SER RESPEITADO!!!

sábado, 14 de dezembro de 2013

"Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas"

Finais de ano nos remete a um misto de sensações estranhas: saudades antecipadas, lembranças de coisas de um passado recente que se mesclam com lembranças mais remotas; outros momentos, outras turmas de alunos com as quais se conviveu e que um dia também saíram de perto e foram alçar voos maiores.
É um tempo de emoções à flor da pele que, aliadas ao estresse e cansaço de mais um ano letivo vivenciado, pode nos fazer chorar compulsivamente de tristeza, pelas despedidas dos alunos e até mesmo das turmas que finalizam, ou de alegria pelas notícias de alunos que passaram em vestibulares. 
Em meio a esta enxurrada de momentos de emoções fortes, ainda sobra tempo para se meditar e analisar o que de fato valeu a pena e o que não valeu; o que recebemos e o que doamos de bom para as pessoas com as quais convivemos em mais um ano de vida. É um tempo de reflexão sobre os laços feitos e os desfeitos também, afinal, nem sempre entendemos o outro como gostaríamos de sermos entendidos por ele e vice-versa, pois viver é bom, mas que é difícil é.
E 2013 foi um ano muito difícil para mim, que me sinto parte da EJRC, pois tive que "arregaçar as mangas" e partir pra luta, literalmente, contra algo que não traria benefícios para a comunidade escolar, nem para a comunidade externa, que, inclusive, poderia levar esta escola à extinção. E foi muito cansativo, por inúmeras razões que prefiro não citar, mas "tudo vale a pena quando a alma não é pequena", já dizia Pessoa e valeu a pena cada momento dedicado a esta luta ao lado de todos os colegas professores, funcionários, alunos, ex-alunos e amigos que nos ajudaram a trilhar o caminho mais adequado para que pudéssemos obter êxito nesta empreitada.
Simultaneamente a este "furacão" de ações que vivenciamos juntos durante este processo de luta, vimos acontecer no Velho João inúmeros projetos e ações que fizeram com que esta escola se mostrasse mais viva e forte a cada dia. E isto também fortaleceu a todos nós que fazíamos parte do GRUPO DOS AMIGOS DA EJRC CONTRA A MUNICIPALIZAÇÃO para irmos em busca de toda e qualquer ajuda para que a nossa causa fosse exitosa. Agradamos a uns, desagradamos a alguns, mas isso também faz parte da vida, são as incompreensões que resultam da falta de diálogo, acho eu. 
Entretanto, como não tenho nenhuma pretensão de promover a análise de ações passadas e encerradas, atenho-me a dizer que também isto foi bom, serviu para que nos uníssemos e nos doássemos mais em nossa luta em favor daquilo que acreditávamos ser o certo e disto sentirei saudade.
Mas a saudade maior será, sem dúvida, daqueles "sobrinhos" que estão indo embora, deixando o Velho João para darem continuidade a sua vida acadêmica, pelas universidades Brasil a fora. E se nos serve de consolo, um dia retornarão a esta escola para matar as saudades e darem seus "testemunhos" sobre o quanto esta escola foi importante em suas histórias individuais. É o Velho João deixando a sua marca impressa na vida de cada um dos seus alunos. E, por mais piegas que possa parecer, como nos enriquece quando eles retornam, anos depois, e vêm nos dar seus depoimentos sobre a importância desta escola em suas vidas e do quanto nós professores os ajudamos a crescer e progredir em sua jornada de vida pessoal e acadêmica. E disto sempre sinto saudade: do reconhecimento e do carinho dos meus ex-alunos.
Apesar de ser eu a professora, sempre aprendo muito com os meus alunos, que me ajudam a progredir como pessoa e como profissional nesta  tão sofrida missão de educadora. E, de todos vocês, alunos e ex-alunos, sempre sinto saudades e uma sensação gostosa de dever cumprido. 
Que esta saudade não seja muito prolongada nem tenha um distanciamento grande, pois a vida é curta. Por isso façamos como nos ensinou Drummond "não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas"!



domingo, 1 de abril de 2012

Orgulho de ser professor!

Tornei-me professora por acaso, não por vocação, pois jamais desejei essa profissão para mim. Almejava fazer coisas distantes da minha realidade de moça pobre do interior, vinda de família humilde.
Naquela época, convivia diariamente com uma jovem professora idealista, inteligente e muito amiga, Januacele Francisca, Jane, que me aconselhou a fazer o curso de Magistério. 
Foram três anos em que repetia cotidianamente para mim que eu jamais seria professora. Apesar disso, empenhei-me em ser uma boa aluna.
Terminado o curso, prestei vestibular, passei e ingressei numa faculdade e novamente me preparei durante quatro anos para ser professora, mesmo assim, meu sentimento de "rejeição" a essa profissão ainda era latente.
Depois de formada, não fazia sentido continuar nutrindo este sentimento em relação a minha profissão, como também não havia mais desculpas para não aceitar o convite para ensinar.
Durante quase dois anos, ensinei num anexo do Colégio Municipal, que funcionava no prédio do antigo Colégio Padre Nelson. Onde contava com o apoio de algumas profissionais da área, que me auxiliavam e me orientavam: Dona Marina Neiva, diretora do anexo onde eu ensinava; Jane, ex-professora e dona do escritório de contabilidade onde eu trabalhava meio período; e minha companheira de trabalho com quem desenvolvi alguns projetos naquela escola: Maria Celsa, que também iniciava na profissão aqui nesta cidade, e já possuía alguma experiência, pois havia ensinado antes em Iati.
Aos poucos fui aceitando a profissão que a vida havia me oferecido e fui aprendendo a gostar de ser professora, vivenciando cotidianamente as coisas boas e as ruins que esta profissão tem.
Ao longo desta jornada de mais de vinte anos exercendo o magistério, tive momentos maravilhosos e outros nem tanto, fiz amigos e inimigos, vi meus alunos crescerem e tornarem-se meus colegas ou tornarem-se pais e mães dos meus novos alunos, enfim, vi e vivi muita coisa boa.
E toda essa vivência me fez ver o que esteve óbvio o tempo todo, mas que o meu idealismo adolescente não me deixava enxergar: é bom ser professora! Há um feedback muito positivo com os meus alunos. 
E se o meu salário, o SASSEPE, o SINTEPE ou o PCC me despertam revolta, raiva e tristeza, há inúmeras outras coisas no dia-a-dia que me alegram, que me fazem sonhar, que me fazem acreditar que "dias melhores virão".
E esta alegria me é concedida, principalmente quando vejo em meu aluno o reconhecimento do meu trabalho; quando sinto nele o carinho que eu despertei , pois outro reconhecimento não é dado a esta profissão, cuja sociedade ignora a importância e cujos governantes empenharam-se em massacrar ao longo da história desse país.
Por isso, diante de todo esse contexto negativo, que está sempre  exposto para a sociedade, fiquei imensamente surpresa quando soube que meu ex-aluno e "sobrinho" Jamil Araújo, havia desistido da faculdade de psicologia que estava cursando, porque havia passado no vestibular da Federal,  para um curso de formação de professores.
Fato admirável, pois nos últimos anos tenho visto muitos colegas de profissão prestando novo vestibular ou concurso e ingressando em outras profissões, deixando de lado o magistério.
Diferentemente de mim, Jamil será um professor por opção: vocacionado, porque acredita que esta é uma profissão que vale a pena. O que faz dele uma raridade entre os jovens da atualidade, que buscam profissões que lhes darão dinheiro ou status, ou ambos.
Saiba, Jamil, que status você não terá, poderá sofrer alguns preconceitos, isso sim. Como também, não terá dinheiro para luxos, ou para um "conforto menos sofrido", mas terá uma bonita missão pela frente: a de formar cidadãos conscientes, justos e politizados, para que, quem sabe, num futuro não tão distante, a nossa profissão venha a ter o reconhecimento de fato que aquela musiquinha, daquele comercial de TV diz: "A base de toda conquista é o professor/ A base de sabedoria, um bom professor."
Que Jamil Araújo sirva de exemplo para muitos jovens que ainda    estão em busca de sua vocação e para muitos professores que estão atuando e que já perderam o encanto pela profissão! 
Que ele tenha sempre orgulho de ser professor! 
Eu tenho orgulho de ser professora e, mais especificamente, orgulho de ter sido professora dele!